A SALIVA
1 – Introdução
A saliva presente na cavidade oral, chamada de saliva total, é constituída por várias secreções e outros componentes. Refere-se que esta mistura inclui: as secreções de todas as glândulas salivares (maiores e menores); os produtos do metabolismo da flora bucal; as células bacterianas; as células epiteliais escamadas, e as secreções creviculares gengivais (da gengiva marginal dos dentes).
2 – Desenvolvimento
2.1 - Glândulas Salivares
São glândulas exócrinas, localizadas no vestíbulo (bucais e labiais) e na cavidade bucal (do assoalho, da língua e palatinas), constituídas por ácinos seromucosos e mucosos. As glândulas salivares são estimuladas pelo sistema nervoso autônomo e pelos hormônios vasopressina e aldosterona. As glândulas mais ativas são as submandibulares e as menos ativas são as sublinguais.
A saliva é produzida e secretada pelas glândulas salivares menores, que são glândulas dispersas em toda a camada de epitélio que reveste o palato, os lábios, as bochechas, as tonsilas e a língua, secretando apenas muco com a função de conservar a umidade da mucosa oral; e as glândulas salivares maiores, localizadas fora das paredes da cavidade oral. Constituídas por três pares de glândulas, são consideradas as principais responsáveis pela secreção da saliva: as parótidas, as submandibulares e as sublinguais.
2.1.1 - Aspectos anatômicos das glândulas salivares maiores
As glândulas parótidas são as maiores dos três pares de glândulas, estando localizadas uma de cada lado da face, na frente e abaixo das orelhas. Secretam saliva serosa através dos ductos de Stenon. Essas glândulas são responsáveis por 20% da saliva secretada pelo homem.
As glândulas submandibulares estão localizadas medialmente ao ângulo mandibular. Secretam a saliva tipo mista (serosa e mucosa), rica em glicoproteínas através dos ductos de Wharton. São responsáveis por 70% da saliva secretada pelo homem.
As glândulas sublinguais são as menores dos três pares, situadas no soalho da cavidade oral e inferiormente à língua. Secretam saliva do tipo mista (mucoserosa) através dos ductos de Bartholin e são responsáveis por 5% da saliva secretada.
2.1.2 - Glândulas salivares menores ou acessórias
São um conjunto de 400 a 500 pequenas glândulas espalhadas por toda a mucosa bucal, exceto gengiva e metade anterior do palato duro. Juntas são responsáveis pelos 5% restantes da saliva secretada. Incluem as acessórias labiais, jugais, sublinguais (glândulas de Rivinus), palatinas, do palato mole e úvula, glossopalatinas, do coxim retromolar e linguais (Blandin e Nuhn, Ebner e da raiz da língua).
2.2 - Tipos de Saliva
- Serosa: Saliva rica em albuminóides (saliva albuminosa). Secretada pelas parótidas e glândulas de Ebner.
- Mucosa: Saliva rica em glicoproteínas tais como mucina. Secretada pelas acessórias palatinas, glossopalatinas, coxim retromolar, raiz da língua e palato mole.
- Mista: Saliva que combina albumina e mucina, atuando tanto na mastigação quanto na deglutição. Secretada por submandibular, sublinguais e outras glândulas menores.
2.3 – Mecanismos Determinantes e Reguladores da Secreção Salivar
A produção de saliva é composta por uma secreção basal contínua (de repouso) para umedecimento, e um aumento sob demanda durante a alimentação.
2.3.1 – Composição química
Constituída por 99,5% de água, 0,1% de ptialina, nitrogênio, enxofre, potássio, sódio, cloro, cálcio, magnésio, ácido úrico e ácido cítrico. Possui proteínas estruturais, enzimáticas e imunológicas (como IgA salivar).
2.3.2 – Fluxo salivar
Em um homem adulto, o volume produzido por dia varia entre 1 e 2 litros, com pH mantido normalmente entre 6,2 e 7,2.
2.4 – Funções da Saliva
Lubrificação da mucosa, facilitação da mastigação e deglutição, digestão bucal por meio da amilase salivar (ptialina), ação de capacidade tampão contra acidez bucal (prevenção à cárie) e proteção imunológica (IgA) com efeito bactericida.
2.5 – Cuidados com a Saliva
No atendimento odontológico, os profissionais devem atentar-se ao isolamento do dente para evitar contaminação do preparo cavitário, interferência nos materiais restauradores e biossegurança quanto à transmissão de doenças infectocontagiosas.
3 – Conclusão
Reforça-se a necessidade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) contínuos como luvas, máscaras, óculos e aventais em todos os atendimentos odontológicos devido ao contato com o fluido salivar.
4 – Bibliografia
- PALAMIM, Maria Regina de Lima. Funções da saliva para a cavidade oral. Fonoatual, v. 3, n. 8, p. 19 – 26, 1999.
- SILVA, Rogério Cavalcanti. Saliva: muitos cirurgiões-dentistas não lhe dão a devida atenção. Odontólogo Moderno, v. 23, n. 1, p. 10 – 13, 1996.
- KUCHINSKI, Fábio Benedito. Histologia Dental e Periodontal. 8 ed., São Paulo, Graftipo editora.
- MURRAY, Robert K. Harper: Bioquímica. 8 ed., São Paulo, Atheneu editora, 1998.